Foi a 1 de Setembro do ano passado que o povo saiu à rua contra o elevado custo de vida

Foi a 1 de Setembro do ano passado que o povo saiu à rua contra o elevado custo de vida

(Veja o vídeo)
Passavam poucos minutos das cinco da manhã, num dia como hoje, em 2010, quando em forma de protesto contra o elevado custo de vida, várias pessoas, sobretudo, crianças, adolescentes e jovens saíram à rua.

Uma acção que rapidamente transformou o ambiente das cidades de Maputo e Matola num verdadeiro caos.

Uma manifestação que já por volta das sete da manhã começava a revelar uma face de saque a estabelecimentos comerciais, destruição de viaturas de instituições e transporte público de passageiros, queima de pneus no asfalto, tudo resultado de uma manifestação convocada via sms, por pessoas que nunca chegaram a ser conhecidas.

E logo no primeiro dia, a polícia que se envolveu em confrontações com os manifestantes dava conta da morte de quatro pessoas, entre elas um menor que acabava de sair da escola, enquanto que outras 27, saíam feridas dos protestos, duas das quais membros da PRM.
 
De resto, a polícia tinha levado com devida seriedade o espectro de manifestação dai que nas primeiras horas da manhã, também já se encontrava posicionada em diversos locais, principalmente nos bairros periféricos, tidos como focos de agitação popular.

Mas o esforço, acabou por se revelar nulo, com a pilhagem e saque em diversos estabelecimentos, dos quais há a destacar o saque nos armazéns da Delta Trading, na Praça dos Combatentes, 25 de Junho e Benfica, para além da dependência do Millennium Bim, na avenida do Trabalho.

Como resultado da alteração da ordem pública, várias instituições públicas, bem como privadas viram-se obrigados a fechar as portas, na mesma altura em que as escolas também dispensavam os alunos.

Agitação que acabou por também afectar as companhias aéreas. Era uma autêntica batalha campal.

Por outro lado, os manifestantes tentavam entrar no centro da cidade e a polícia tinha ordens claras para não permitir tal pretensão. E numa altura em que se aguardava a voz do Governo para acalmar a população, José Pacheco, ex ministro do interior era infeliz com a acusação de que tudo era resultado de um comportamento de vândalos.

Expressão infeliz que acabou por atiçar ainda mais o fogo que já prometia incendiar o resto do país.

As duas cidades pararam literalmente. Ninguém se mostrava disposto a apertar ainda mais o cinto, com os novos preços anunciados na véspera. Já no dia dois, a agitação continuava e com os mesmos bairros periféricos na linha da frente. Perante a situação que já estava a ficar incontrolável,
 
No dia seguinte o Governo dizia que as manifestações saldaram-se em prejuízos que ascendiam os 122 milhões de meticais.

Ainda no dia 2 de Setembro, o Governo pedia calma ao povo anunciava um pacote de medidas visando apoiar as camadas mais pobres confrontadas com o elevado custo de vida.

Era retirar o aumento anunciado na tarifa de energia para os consumidores de escalão social dos consumos mensais até 100 kwh.

Reduzia-se o aumento anunciado da tarifa de energia dos consumidores do escalão doméstico cujo consumo mensal se situa entre 100 e 300 Kwh, de 13.4% para 7%.
Era eliminada a dupla cobrança da taxa de lixo nas facturas de energia para os consumidores do sistema pré-pago (Credelec).

O Governo decidia também baixar o preço do arroz (3ª qualidade) em 7.5%, diferindo os direitos aduaneiros sobre este produto.

Parte destas medidas até hoje estão em implementação, o que acaba por ser uma lufada de ar fresco para quem já estava a ver o seu salário engolido demais pelo custo de vida, motivado pela conjuntura internacional.

Fonte: TIM
Data: 01/09/2011

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