Em 2009, a Casa Real custou 48,2 milhões de euros aos contribuintes britânicos.
Isabel II assumiu ontem que a redução do défice deve ser a prioridade dos britânicos. "O programa legislativo do meu Governo será baseado nos princípios da liberdade, justiça e responsabilidade. A primeira prioridade é reduzir o défice e restaurar o crescimento económico e serão tomadas medidas para acelerar a redução do défice", disse na sessão inaugural do Parlamento de Westminster.
Num discurso cheio de pompa, a monarca apresentou pela primeira vez um programa de um Governo de coligação, pois tal nunca aconteceu ao longo dos seus 58 anos de reinado. A ouvir atentamente as suas palavras, lado a lado, estiveram os protagonistas deste novo Executivo britânico: David Cameron, primeiro-ministro, líder dos conservadores, e Nick Clegg, vice-primeiro-ministro, líder dos liberais-democratas.
Vinte e duas novas leis em 18 meses é o que pretende aprovar o Governo, estando previstas reformas políticas, orçamentais, nas áreas da educação, das ajudas sociais, da despesa e do peso do Estado. As palavras da monarca não foram propriamente uma surpresa, já que o rascunho do seu discurso tinha aparecido publicado nos jornais de domingo - para grande embaraço do Governo e do Palácio de Buckingham.
Além da redução do défice, que neste momento é o maior da UE, a rainha confirmou que vai haver referendo sobre a alteração do sistema eleitoral britânico, reforma política para introduzir datas de início e fim de mandato do Governo, uma quota para imigrantes que venham de fora da UE, a transformação das escolas primárias e secundárias em academias, a privatização dos correios e o fim do BI.
Apesar dos cortes radicais anunciados aos britânicos, não foi ainda explicado se a realeza também vai apertar o cinto. 41,5 milhões de libras, ou seja, 48,2 milhões de euros, foi quanto a casa real custou ao bolso dos contribuintes no ano passado. Alguns media dizem que a isto junta-se ainda 50 milhões em segurança.
A seguir ao discurso de Isabel II em Westminster, onde a Rainha se deslocou na sua carruagem dourada e usando a sua tiara com três mil diamantes preciosos, acabou- -se a trégua política. Os trabalhistas, que passaram à oposição, depois de estarem no poder 13 anos, prometeram desde logo votar contra a reforma do tempo dos mandatos governamentais. A nova lei estabelecerá que o primeiro--ministro só pode dissolver o Parlamento com o voto de 55% dos deputados britânicos.
Harriet Harman prometeu que o seu partido vai ser eficaz. "Nós seremos determinados a prevenir a injustiça e defenderemos os serviços públicos que interessam, seremos vigilantes na protecção de empregos e empresas", avisou a ex-ministra da Igualdade. Cameron logo respondeu lamentando que a opositora não tenha pedido desculpa aos britânicos "pela impressionante trapalhada" em que o seu partido deixou o país. "Nem uma única palavra foi dita sobre deixar o Reino Unido com um défice maior do que a Grécia", denunciou o primeiro-ministro.
Fonte: DN
Data: 26/05/2010