Bombas deflagraram com cerca de uma hora de intervalo, mas ainda não é conhecida ligação entre os dois incidentes
A madrugada de ontem foi marcada por duas explosões quase seguidas em pontos distintos do globo, mas tendo ambas a Grécia como alvo. Por volta das cinco horas da manhã de Lisboa, um engenho explosivo deflagrou à entrada da embaixada grega na Argentina. O impacto não causou vítimas nem danos assinaláveis, segundo um porta-voz da polícia de Buenos Aires, que acrescenta que será aberto um inquérito. O Ministério grego dos Negócios Estrangeiros lançou um comunicado onde explica que "um cocktail molotov foi atirado contra a Embaixada da Grécia [em Buenos Aires]". Pouco mais de uma hora depois, uma forte explosão atingia o tribunal administrativo de primeira instância de Atenas. A estação de televisão grega Alter recebeu um telefonema anónimo de alerta, o que permitiu evacuar a área e evitar feridos. Ainda assim, a onda de choque destruiu os vidros do edifício e danificou oito viaturas. Fontes policiais adiantam que a bomba de Atenas estava numa moto roubada, deixada em frente ao tribunal ateniense. O indivíduo que contactou a Alter referiu a matrícula da moto, o que reforça a afirmação da polícia. A explosão foi de tal modo forte, que afectou edifícios num raio de vários metros. "Estou a 100 metros de distância e as minhas coisas caíram das estantes", contou o dono de uma papelaria à Alter. Apesar da violência da explosão, também em Atenas não houve vítimas ou feridos.
Não é conhecido ainda se os ataques estão ligados, nem foram ainda reivindicados. O governo grego reagiu ao ataque e condena a acção daqueles que "procuram aterrorizar a democracia e os cidadãos", como afirma o porta-voz governamental George Petalotis.
A polícia suspeita do grupo anarquista Conspiração dos Núcleos de Fogo, que em Novembro reivindicou os ataques a várias embaixadas estrangeiras, onde explodiram quatro de 14 pacotes-bomba. Alguns pacotes tinham Nicolas Sarkozy e Angela Merkel como destinatários, mas tratavam-se de falsos alarmes. A sustentar esta teoria, está o facto de, no dia 17 de Janeiro, serem julgados 15 membros suspeitos de pertencerem a este grupo.
Onda de ataques Esta semana, a sede da Liga Norte, aliados da coligação do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, em Roma, foi também sacudida por duas explosões que danificaram o portão do edifício. A autoria do ataque não é conhecida, mas crê-se que tenha sido o mesmo grupo que pintou a spray a palavra "antifa" - de antifascistas - na parede da sede partidária. As equipas de peritagem não ligam o incidente aos casos de pacotes-bomba nas embaixadas da Suíça e do Chile na capital italiana, já que o modus operandi é muito distinto, e suspeitam de populares moradores nas proximidades da sede.
As encomendas explosivas, descobertas na semana passada, fizeram dois feridos, um em cada representação diplomática. Um terceiro foi descoberto na segunda-feira, na Embai-xada da Grécia em Itália, mas foi desmantelada antes de ex-plodir.
Os três embrulhos foram reivindicados por um grupo anarquista radical italiano, chamado Lambros Fountas em honra do alegado membro do grupo homólogo grego Luta Revolucionário. Fountas morreu este ano durante confrontos com as forças policiais em Atenas.
Fonte: I
Data: 31/12/10