Cameron afasta possível reforço de tropas britânicas

Cameron afasta possível reforço de tropas britânicas

Numa visita surpresa a Cabul, o primeiro-ministro britânico assegurou que a questão afegã é prioritária.

A viagem não foi anunciada mas David Cameron aterrou em Cabul com uma certeza: as tropas britânicas não vão ficar no Afeganistão nem um dia mais do que o necessário. Durante o seu recente mandato, o primeiro-ministro britânico tem dado especial atenção à presença militar no Afeganistão, onde o Reino Unido tem quase 10 mil soldados - o segundo maior contingente estrangeiro, a seguir ao norte-americano. "Para mim, a situação no Afeganistão é a questão mais importante de todas as que estão relacionadas com a política externa", acrescentou.

O contingente militar estrangeiro no Afeganistão está prestes a chegar ao recorde de quase 150 mil soldados. O elevado número de mortes - desde 2001 morreram 300 soldados britânicos - põe em risco o apoio dado ao envolvimento militar britânico, que acaba por sobrecarregar as contas públicas. Numa conferência de imprensa, Cameron anunciou que o governo britânico vai destinar mais 67 milhões de libras (81 milhões de euros) para proteger as tropas britânicas das bombas artesanais. "O meu maior dever como primeiro-ministro do Reino Unido é com as Forças Armadas, assegurando-me de que têm o equipamento necessário para a sua protecção", justificou.

Cameron descreveu este ano como sendo vital no que diz respeito à missão da NATO no Afeganistão. "O que mais queremos - e é também do interesse da segurança do Reino Unido - é entregar às autoridades afegãs um país que seja capaz de controlar a sua própria segurança", salientou.

Conversações Durante o último mês, o presidente afegão, Hamid Karzai, fez uma visita a Cameron em Chequers, a casa de campo dos primeiros-ministros britânicos. Pouco depois, três ministros do novo governo foram ao Afeganistão. A comissão - formada pelo titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, William Hague, pelo secretário de Defesa, Liam Fox, e pelo secretário de Desenvolvimento Internacional, Andrew Mitchell - mostrou vontade de reforçar os laços entre os dois países.

O momento de reaproximação é posto em causa pelo atraso na ofensiva da NATO contra os talibãs em Kandahar, no Sul do Afeganistão. "Penso que a operação será conduzida mais lentamente do que o previsto no início", explicou ontem Stanley McChrystal, comandante das forças da NATO no país.

A organização iniciou este mês uma operação militar sem precedentes para ajudar as forças afegãs a restabelecer a autoridade, expulsando os talibãs da região. O general insistiu que é preciso algum tempo para ganhar a confiança das populações e dos chefes locais. "Queremos ter a certeza de que estão reunidas as condições políticas em relação aos dirigentes locais e aos habitantes", afirmou o responsável militar.

Fonte: Ionline
Data: 11/06/2010

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