Brasileiros pedem morte para 'Fritzl do Maranhão'

Brasileiros pedem morte para 'Fritzl do Maranhão'

Agricultor que violou filha durante 16 anos diz não saber que estava a cometer crime.

Os brasileiros estão indignados com a descoberta dos crimes do agricultor José Agostinho Bispo Pereira, de 54 anos, que manteve a filha em cárcere privado desde os 12 anos - hoje tem 28. Nesse período, o 'Fritzl do Maranhão', como é chamado numa referência ao austríaco que também sequestrou a filha e a engravidou repetidas vezes (caixa) - teve sete filhos com a própria filha. O facto ocorreu junto da cidade de Pinheiro, interior do estado do Maranhão, Norte do Brasil. O local fica a 2000 km de Brasília e a 3000 do Rio de Janeiro, próximo da floresta amazónica.

E nem a declaração de Pereira, de que não tinha conhecimento do mal que estaria a cometer, está a reduzir a ira dos brasileiros. "Só Deus sabe porque agi assim", disse ele sobre os crimes, além de declarar que desconhecia ser o incesto um crime. Testemunhas garantem que terá incentivado um dos filhos a ter relações em família.

Na TV Band, o apresentador José Luiz Datena chamou o criminoso de "monstro" e recebeu mensagens de centenas de telespectadores a pedir a morte para o acusado - embora, no Brasil, a Constituição proíba a pena capital. Em cartas ao jornal O Estado de São Paulo, Nátaly Marques e Maria Silva pediram a morte do culpado, enquanto Nerrise Benther sugeriu castração química. Chega a tal ponto a indignação da população. Um membro do Conselho Tutelar, entidade que dá apoio a menores ou pessoas desprotegidas, disse que a casa do lavrador parecia um chiqueiro, de tão imunda. Os filhos do "casal" foram encontrados quase sem roupas e com fome. A mãe e as crianças não sabem ler. O pior caso é o de um dos filhos, de nove anos, surdo-mudo e deficiente mental.

Até agora, não se conseguiu ouvir a filha do criminoso e mãe dos filhos. As crianças mostram-se pouco receptivas a estranhos. Segundo populares, a família vivia afastada do centro da cidade e, além disso, não mantinha qualquer relação de amizade com os vizinhos. As crianças não frequentavam a escola.

Após o rebentar do escândalo, as autoridades deram atendimento médico à família e cortaram os cabelos de todos, pois as crianças estavam com piolhos.

A polícia revelou que o pai, além de abusar da filha durante 16 anos, impunha maus tratos a toda a família e não fornecia alimentação suficiente para mantê-los. Agora que o caso está nas manchetes dos jornais, foi destacada uma equipa de médicos, psicólogos e assistentes sociais para averiguar o caso.

Após ser preso, Pereira confessou o incesto - que declarou não saber constituir crime - e responderá por cárcere privado e estupro de vulnerável, além de abandono material, abandono intelectual e maus-tratos, pelas condições em que se encontravam a jovem e as crianças. Segundo a polícia, o agricultor tem filhos de 12, oito, seis, cinco, quatro e dois anos, além de um bebé com pouco mais de dois meses, todos com sua própria filha. Há indicações de que Pereira já teria molestado uma de suas netas - não se sabe qual.

O criminoso foi preso na terça-feira, após denúncia anónima, feita durante uma marcha contra a pedofilia. A polícia iniciou investigação e prendeu o acusado. Pereira estava separado da ex-mulher e mãe da filha que ele estuprava. Esta vive numa cidade distante.

Uma testemunha informou que os vizinhos estranhavam as constantes gravidezes da rapariga, uma vez que ela não saía de casa e não conhecia terceiros. A vítima tem outra irmã e dois irmãos, que não moravam junto do pai. Segundo depoimento de Pereira, "ninguém nunca soube o que acontecia na casa".

Fonte: DN
Data: 11/06/2010

Comentários

Powered by eZ Publish™ CMS Open Source Web Content Management. Copyright © 1999-2010 eZ Systems AS (except where otherwise noted). All rights reserved.