Presidente Lula reuniu-se e firmou acordos com o ditador da Guiné Equatorial, que está no poder há 31 anos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, ontem, uma rápida visita à Guiné Equatorial. Na capital Malabo, Lula se reuniu com o presidente Obiang Nguema, que chegou ao poder por meio de um golpe de Estado há 31 anos. O objetivo do Brasil na Guiné Equatorial é fazer negócios e abrir mercado para o Brasil na África, continente disputado de forma ferrenha por outros países emergentes, principalmente a China.
Após o encontro dos líderes, o governo brasileiro emitiu um comunicado afirmando que tanto o Brasil quanto a Guiné Equatorial estão comprometidos com o respeito aos direitos humanos e à democracia. Nguema é acusado de fraudar eleições no ano passado, quando venceu com 97% dos votos, e reprimir a oposição.
A entrevista coletiva de Lula e Nguema, prevista na agenda oficial, ficou só no papel. Depois do encontro oficial, os jornalistas foram levados para uma sala onde ocorreria uma assinatura de atos e a entrevista. Mas logo que as assinaturas se encerraram, os jornalistas não tiveram nem ao menos tempo de fazer perguntas. Mbasogo se levantou para deixar a sala, acabando com qualquer possibilidade de ser questionado sobre as acusações de organizações internacionais por violações contra direitos humanos.
"Negócios são negócios"
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, justificou e defendeu a visita do presidente Lula à Guiné Equatorial. "Nós não estamos ajudando nem promovendo ditaduras. Quem resolve o problema de cada país é o povo de cada país. A democracia não se impõe, se conquista, se trabalha por ela. O exemplo tem muito mais força que a pregação moralista", afirmou o chanceler.
Segundo Amorim, "negócios são negócios" e o Brasil não pode desprezar as possibilidades de trocas comerciais com o país. "Tem empresa com mais de US$ 1 bilhão investidos na Guiné Equatorial, não é pouca coisa. Nós não podemos jogar isso fora, nenhum país do mundo joga isso fora, nem Estados Unidos, nem Alemanha, nem França", explicou.
Lula assinou cinco acordos de cooperação com a Guiné Equatorial, incluindo a supressão da necessidade de visto para os visitantes dos dois países e a defesa do Brasil ao setor agrícola da Guiné Equatorial. O Brasil apoiou ainda a entrada do país na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) - o português é a terceira língua oficial guineense. Após a visita, Lula partiu para o Quênia. Ele ainda visitará a Tanzânia, a Zâmbia e a África do Sul.
Fonte: DN
Data: 06/07/2010