Angola pode servir como “plataforma de acesso aos países da África Austral” e deve ser vista assim pelas empresas portuguesas.
O apelo é de Cavaco Silva, que, na visita a Angola, ouviu a Unita pedir-lhe a assunção, por Portugal, de responsabilidades históricas.
O Presidente da República lançou o apelo durante a inauguração, ontem, terça-feira, da Feira Internacional de Luanda, marcada pela presença de várias empresas portuguesas. Angola decidiu pela primeira vez atribuir vários dias da iniciativa a países diferentes e fez coincidir com a inauguração da feira o Dia de Portugal, aproveitando a presença de Cavaco Silva em Luanda.
Para o chefe de Estado, “o conjunto regional da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, que integra o triângulo definido por Moçambique, Angola e África do Sul, oferece oportunidades de investimento, recursos e potencialidades extremamente interessantes, com um mercado de 250 milhões de consumidores”.
Numa alusão às dificuldades de pagamento por parte de Angola, que têm tocado a diversas empresas portuguesas, o chefe de Estado recordou que “a crise económica e financeira a todos afectou, incluindo Portugal e Angola”. Mas “nenhuma crise é permanente” e Angola “faz claramente parte” de um “leque alargado de países, mercados e soluções de negócio”.
Na sequência das conversações que manteve com as autoridades angolanas, Cavaco Silva considerou que estas estão “conscientes das vantagens e dos benefícios mútuos associados a este processo de aproximação entre empresários de Portugal e Angola”.
No programa de ontem da visita de Estado esteve ainda o encontro com o líder da UNITA. Isaías Samakuva aproveitou para deixar um apelo para que Portugal assuma as suas responsabilidades históricas para com aquele país, nomeadamente quanto ao processo democrático angolano, a reconciliação nacional, a questão de Cabinda e outros assuntos pendentes que remontam ao tempo do regime colonial, como as pensões de ex-militares ou funcionários públicos.
Portugal foi parte da “troika”, com os EUA e a Rússia, no processo de paz. Para Samakuva, “Portugal pode exercer alguma influência sobre o governo angolano no quadro das responsabilidades históricas que assumiu no processo de paz”.
Fonte: JN
Data: 21/07/2010