Sábado, 26 de Maio de 2012
Home ›› Notícias ›› Internacional ›› The Pacific. Spielberg, Tom Hanks e o lado B da II Guerra Mundial
Helenio Jeronimo
2010/16/03 10:07
Realizador e actor voltam a juntar-se para a produção televisiva mais cara de sempre. "The Pacific".
Quando na manhã do dia 6 de Junho de 1944 mais de 175 mil soldados desembarcaram numa praia na Normandia, em França, havia 588 jornalistas acreditados para cobrir a batalha que ditaria o fim da Segunda Guerra Mundial. Enquanto isso, do outro lado do mundo, no Pacífico, vivia-se um dia como os outros. Um dia no "inferno", segundo o pai e o tio do realizador Steven Spielberg, ambos veteranos na guerra que opunha os EUA às tropas japonesas. E nesse inferno não havia jornalistas acreditados.
"Os relatos do meu pai e do meu tio eram incríveis, mas não coincidiam com as histórias da Segunda Guerra que Hollywood contava", desabafou Spielberg, realizador também ele mais voltado para a Europa como cenário de guerra - e de filmes como o oscarizado "A Lista de Schindler".
"The Pacific", que se estreia hoje no AXN (23h20), é uma minissérie de 10 episódios, 60 minutos cada, que vem mostrar o lado menos conhecido da Segunda Guerra Mundial. É também a produção televisiva mais cara de sempre: mais de 140 milhões de euros foram gastos para, entre outras coisas, plantar 500 coqueiros e fazer de uma praia australiana um cenário tropical debaixo de fogo.
Steven Spielberg é, a par de Tom Hanks, produtor executivo do drama da HBO. A equipa de "O Resgate do Soldado Ryan", que valeu a Spielberg o segundo Óscar e a Hanks mais uma nomeação, já investira no mesmo formato com muito sucesso: "Irmãos de Armas" mostrava a Segunda Guerra Mundial pelos olhos de três amigos e recebeu seis Emmy em 2001. Nove anos depois, Hanks e Spielberg voltam a apontar baterias para os prémios - e para as audiências. "The Pacific" estreou dia 9 nos EUA com reacções entusiásticas da crítica e audiências a condizer. O "New York Times" descreve-a como "uma série mais difícil de seguir que 'Irmãos de Sangue' mas muito melhor". E destaca a fidelidade da história e dos cenários.
Série de cartas
Hollywood nunca se coibiu de filmar a Segunda Guerra Mundial, mas sempre preferiu fazê-lo na Europa. Os conflitos no velho continente são mais ao gosto do cinema norte-americano: há um vilão cruel e carismático, um grupo de heróis que se unem numa guerra do bem contra o mal e uma série de momentos-clímax históricos: o desembarque da Normandia, a libertação de Paris, o cerco ao bunker de Hitler.
A guerra no Pacífico permanecia na sombra e não foi só por insistência dos familiares que Spielberg pegou nela. Depois da estreia de "Irmão de Armas", o realizador e produtor começou a receber cartas de antigos soldados americanos destacados para o Pacífico com a pergunta: "Então e quando vai contar a nossa história?"
Spielberg leu com atenção a correspondência mas a equipa de "The Pacific" tinha de se centrar nas histórias particulares dos sobreviventes a alguns dos combates mais sangrentos da Segunda Guerra Mundial, como Peleliu e Okinawa. Stephen Ambrose, historiador que ajudou na escrita de "Irmãos de Armas", tratou de encontrar os homens cujas vidas deviam passar da realidade para a ficção - mas não muito. Um dos entrevistados durante esse processo de pesquisa fez um pedido especial à equipa de produção: "Faça--me um favor a mim e aos meus companheiros e deixe a ficção de fora da nossa história."
Fonte: Informação
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