Sábado, 26 de Maio de 2012
Home ›› Notícias ›› Internacional ›› Merkel trava dura batalha para prolongar vida de centrais nucleares
Helenio Jeronimo
2010/07/09 11:42
As organizações ecologistas, mais populares do que nunca no país, convocaram uma manifestação em Berlim no dia 18 de setembro.
A chefe do governo alemão, Angela Merkel, anunciou nesta segunda-feira a sua intenção de prolongar o funcionamento das centrais nucleares da maior economia europeia, abrindo uma frente de batalha política que corre o risco de ser uma das mais difíceis de seu mandato.
"Precisamos de energia nuclear e de carvão como energia de transição. Sei que muita gente é muito cética e crítica em relação à energia nuclear e leva muito a sério essas preocupações", disse Merkel nesta segunda-feira.
A energia nuclear civil será utilizada "pelo tempo que for necessário" para se "chegar à era das energias renováveis", acrescentou.
Foram necessárias doze horas de negociações para que Merkel conseguisse que seu governo de coalizão conservador-liberal chegasse a um acordo e pudesse cumprir uma das promessas eleitorais feitas aos industriais: adiar a data limite (2022) fixada para pôr fim à indústria nuclear civil por seus antecessores verdes e social-democratas.
O governo alemão vai dar aos 17 reatores do país um prazo de mais doze anos em média, ou seja, oito anos para os mais antigos, construídos antes de 1980, e 14 para os mais recentes.
Com estes novos prazos, o reator nuclear alemão mais novo, o de Neckarwestheim 2 (sudoeste), construído em 1988, teria o seu funcionamento interrompido em 2040, segundo cálculos da imprensa.
Mas as datas não são definitivas, já que o governo não estabelece seus prazos em anos, mas sim em quantidade de eletricidade atribuída a cada reator.
Com este sistema, os operadores poderão fechar rapidamente as antigas centrais nucleares e transferir as quotas obtidas para as centrais mais recentes.
O setor nuclear gera cerca de 25% da energia que a Alemanha consome. As energias renováveis produzem 15% e o restante é proveniente do carvão ou dos hidrocarbonetos.
A discussão foi trabalhosa dentro do governo. O ministro da Economia, Rainer Brüderle, pedia cerca de 20 anos de prolongação e o do Meio Ambiente, Norbert Röttgen, não queria nem ouvir falar de mais de oito anos.
Outro ponto sensível do debate foi a aplicação de um imposto aos operadores das centrais, que deveriam pagar 2,3 bilhões de euros por ano.
Segundo o compromisso alcançado, essa taxa será provavelmente limitada a seis anos, apesar de o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, desejar que fosse aplicada por tempo ilimitado.
O imposto não será a única concessão pedida às quatro maiores empresas energéticas da Alemanha (EON, RWE, EnBW e Vattenfall), que também terão que investir 15 bilhões de euros em energias renováveis.
As empresas deverão destinar "somas consideráveis" à segurança, afirmou nesta segunda-feira Merkel, em uma tentativa de tranquilizar a opinião pública, majoritariamente hostil às centrais nucleares e ainda traumatizada com a catástrofe de Chernobyl.
Mas, além dos protestos nas ruas, Merkel terá de enfrentar a oposição no Parlamento e nos tribunais.
Seu governo espera que o projeto possa evitar a passagem pela Câmara Alta do Parlamento, a Bundesrat, que representa os estados regionais, onde a sua coalizão perdeu a maioria em maio passado.
Mas o Partido Social-democrata (SPD) e os Verdes já anunciaram que recorrerão à justiça, e muitos analistas consideram que o caso poderá chegar ao Tribunal Constitucional, com um resultado incerto.
Fonte: AFP
Data: 07/09/2010
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