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Labour suspende quatro deputados acusados de fazer lóbi

Labour suspende quatro deputados acusados de fazer lóbi

Três ex-ministros e uma deputada foram filmados a oferecer-se para receber dinheiro de falsos lobistas estrangeiros.

Tudo o que o primeiro-ministro britânico não precisava era de mais um escândalo envolvendo deputados trabalhistas a quatro semanas das eleições legislativas. Mas, agora que ele aí está, Gordon Brown tem de descobrir como geri-lo por forma a limitar os estragos que possa causar.

Quatro deputados trabalhistas foram suspensos na segunda-feira à noite depois de serem acusados de favorecer lobistas. Três deles são antigos ministros do Labour, dois foram os subscritores de uma carta que pedia a demissão de Brown no início de Janeiro.

Os implicados no caso, revelado por uma investigação encoberta realizada pelo Channel 4, são Stephen Byers, Geoff Hoon, Patricia Hewitt, respectivamente, ex- -ministros dos Transportes, da Defesa e da Saúde de Tony Blair, mais a deputada Margaret Moran.

Os jornalistas do canal televisivo fizeram-se passar por lobistas que trabalhavam para um cliente estrangeiro e que propunham pagar por um tratamento favorável na aprovação de legislação.

Stephen Byers admitiu mesmo já ter feito acordos secretos no passado e disse estar à venda, enunciando mesmo montantes na ordem das cinco mil libras diárias para pagar os seus serviços (cerca de 5 500 euros).

Brown ordenou entretanto um inquérito interno, mas considerou dispensável a realização de uma investigação governamental sobre o assunto. Ora, isso foi precisamente o que veio exigir o chefe da oposição conservadora, David Cameron. O líder dos Tories, que já chama ao caso o lobbygate, aconselhou o primeiro-ministro a repensar a sua recusa após estas "revelações tão chocantes".

Este escândalo surge numa altura em que as sondagens apontam para uma vitória dos conservadores nas legislativas, que muito provavelmente decorrerão no dia 6 de Maio. No entanto, a vantagem sobre o Labour é cada vez menor, o que indica que os conservadores poderão não obter maioria absoluta.

Ao mesmo tempo, a BBC noticiou ontem que há mais de duas dezenas de deputados, de todas as formações partidárias, que violaram "em mais de 400 vezes" as regras do Parlamento em relação a viagens pagas por governos estrangeiros. A cadeia de televisão pública britânica cita mesmo o exemplo de um deputado que fez uma viagem às Maldivas, não declarada junto das autoridades parlamentares.

Este caso segue-se ao escândalo das despesas, que no ano passado envolveu mais de metade dos deputados. Em causa, ao todo, estará um milhão de euros de dinheiro dos contribuintes, usado para reembolsar despesas que não estão propriamente ligadas à representação dos deputados britânicos - que são eleitos por circunscrições. Na lista dos reembolsos mais escandalosos estão tampas de sanitas, comida para cães ou uma casa de lago para canários.

A tão pouco tempo das eleições, perante tantos escândalos, torna--se um pouco imprevisível a reacção do eleitorado britânico. Brown, que sucedeu a Blair em 2007, nunca passou pelo teste das urnas. Esperando que as próximas eleições lhe tragam finalmente a tão desejada legitimidade. Algo que não será fácil, a avaliar pelas sondagens.

Fonte: DN
Data: 24/03/2010

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