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Irão desafia críticas do Ocidente sobre direitos humanos

Irão desafia críticas do Ocidente sobre direitos humanos

O Irão disse hoje a um organismo da ONU que respeita plenamente os direitos humanos, considerando as preocupações nesse sentido expressas pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França de gestos políticos no meio de um impasse nuclear mais amplo.

Na sua primeira revisão pelo Conselho de Direitos Humanos, que analisa o histórico de todos os países membros da ONU, um a um, o enviado de Teerão, Mohammad Javad Larijani, disse que o Irão «cumpre plenamente todos os compromissos internacionais relevantes que assumiu na abordagem genuína e de longo prazo de protecção dos direitos humanos».

O secretário-geral do Alto Conselho de Direitos Humanos do Irão, Larijani sugeriu que as críticas feitas ao Irão representam tentativas de colocar pressão adicional sobre o Estado islâmico, que os EUA e outros países temem que esteja a avançar no sentido de se dotar de armas nucleares. Teerão afirma que o seu programa nuclear tem fins civis.

Os países ocidentais têm constantemente utilizado a questão dos direitos humanos «como instrumento político para aplicar pressão sobre nós e promover certas motivações políticas ulteriores», disse Larijani à sessão do Conselho.

As declarações foram feitas um dia depois de a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ter afirmado que os EUA vêem poucas alternativas à aplicação de mais sanções contra o Irão. «O Irão está a deixar à comunidade internacional pouca escolha senão impor-lhe custos mais elevados pelas suas medidas provocatórias», disse Clinton em conferência no Qatar.

Na semana passada, a Prémio Nobel da Paz iraniana Shirin Ebadi pediu sanções políticas em resposta à repressão violenta movida pelo Irão contra protestos pacíficos, mas avisou que sanções económicas adicionais apenas prejudicarão a população iraniana.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse na semana passada que o Irão já possui capacidade de enriquecer urânio em mais de 80% de pureza, perto do grau que, segundo especialistas, seria necessário para a produção de uma bomba nuclear (90%). No entanto, negou que o Irão tenha qualquer intenção de fabricar uma bomba.

Dirigindo-se ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, que tem 47 membros, Michael Posner, o mais elevado representante do Departamento de Estado norte-americano para a democracia e os direitos humanos, disse que desde a eleição de Junho passado o governo iraniano reprimiu protestos envolvendo milhões de pessoas.

Posner condenou «as restrições crescentes à liberdade de expressão e à liberdade religiosa» no Irão e pediu ao país que «tome medidas imediatas para acabar com a prática da tortura nas suas prisões».

Fonte: Diário Digital
Data: 18/02/2010

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