Sábado, 26 de Maio de 2012
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Helenio Jeronimo
2012/17/01 17:12
após vários dias de greves e violentas manifestações, o Governo nigeriano anunciou que vai baixar substancialmente o preço da gasolina. ainda há pouco tempo, o Governo de Lagos tinha mais do que duplicado esse preço.
Uma semana inteira de greves e manifestações, com um saldo de pelo menos dez mortos, e uma nova vaga de protestos anunciada para esta semana obrigaram-no a ceder de forma espectacular.
O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, anunciou hoje, segundo despacho da Agência France Press, que iria baixar o preço do litro de gasolina em cerca de 30 por cento, para 97 naira (o equivalente a 47 cêntimos do euro). Segundo Jonathan, foi necessário ter em conta "as duras condições sob as quais sofrem os nigerianos".
E, contudo, ainda no fim do ano de 2011, o Governo tinha anunciado que iria eliminar os subsídios ao preço da gasolina, com a consequência imediata de estes passarem de 65 a 140 naira. A Nigéria, maior produtor de petróleo na África subsahariana, tem a gasolina mais barata do mundo. Mas, ainda assim, um aumento de preço é difícil de suportar para uma população de 158 milhões de pessoas, 40 milhões das quais desempregadas, e no seu conjunto a viverem com menos de dois dólares por dia.
Segundo o governador do banco central, Lamido Sanusi, citado pela agência noticiosa IPS, o dinheiro poupado na abolição dos subsídios seria utilizado "para criar instalações sociais e desenvolver infraestrutura que beneficiará os niegrianos, e que salvará o país da ruptura económica". Mas a corrupção que grassa no país desacreditava as declarações de intenção.
As greves que responderam à decisão de aumentar os preços estenderam-se ao longo de toda a semana passada. O exército ocupou entretanto violentamente vários locais de concentração dos grevistas, nomeadamente um parque onde estes realizavam os seus comícios.
Segundo citação da Al Jazeera, Jonathan queixara-se de que, alegadamente, "outros interesses para além da implementação da política de deseregulação [dos preços] se apoderaram dos protestos". E acrescentara que "isto impediu uma apreciação objectiva e a ponderação de todos os interesses conflituantes, pela qual o Governo iniciou o diálogo. Estes mesmos interesses procuram promover a discórdia, a anarquia e a insegurança em detrimento da paz pública".
No fim de semana as greves foram suspensas, mas hoje os sindicatos anunciaram que seriam retomadas nesta semana. Em resposta, o presidente emitiu a comunicação citada acima, manifestando preocupação com "as duras condições" em que vive o povo nigeriano. Os sindicatos reagiram desconvocando as greves marcadas para os próximos dias.
Fonte: RTP
Data: 17/01/2012
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