Sábado, 26 de Maio de 2012
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Helenio Jeronimo
2012/06/01 15:58
Por um lado, os macacos Roku, Hex e Chimero, trazidos ao mundo por cientistas da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon (EUA), são um triunfo da biotecnologia.
Derivam da fusão de seis embriões diferentes - nunca um primata tinha sido criado por esse princípio. Por outro lado, as crias são prova dos muitos limites que os cientistas ainda enfrentam nesse campo.
Misturar seis embriões foi uma espécie de apelo, porque as técnicas mais comuns - e mais úteis - para produzir mamíferos «misturados» não resultavam.
«O trabalho, no fundo, relata um resultado negativo», disse a geneticista Lygia da Veiga Pereira, da USP (Brasil), que não esteve envolvida no estudo, a ser publicado este mês na revista Cell.
As chamadas quimeras, como são conhecidos os animais resultantes da fusão de dois organismos diferentes, surgiram como ferramenta para estudar doenças.
O truque usual para criá-los é alterar geneticamente células embrionárias, capazes de se transformar em qualquer tecido do organismo, mexendo em genes ligados à doença de interesse.
Essas células, então, são injectadas num embrião. O animal - em geral, um roedor - que nasce da mistura terá as descendentes das células alteradas espalhadas por todo o seu corpo, simulando a doença. E macacos desse tipo seriam o simulador ideal de um problema de saúde humano, pelo seu parentesco com o homem.
Contudo, no estudo realizado os EUA, liderado por Shoukhrat Mitalipov, o «truque» falhou. Os cientistas tiveram de usar embriões inteiros de quatro células para produzir os seus macacos-resos quiméricos.
«Não seria prático tentar produzir primatas para servir de modelos de doenças dessa maneira. No método tradicional, usamos uma enorme quantidade de células-tronco, porque nem sempre a modificação genética desejada dá certo», afirma Pereira.
No método da pesquisa da Cell, seria preciso produzir uma quantidade muito grande de embriões para ter algum resultado, portanto - coisa difícil com o ciclo reprodutivo lento dos primatas.
Mas o estudo é importante por mostrar que nem sempre o que se sabe sobre células-tronco com base em roedores vale para primatas como macacos e seres humanos.
Fonte: Diário Digital
Data: 06/01/2012
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