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Cardeal põe em causa o celibato

Cardeal põe em causa o celibato

Escândalo de pedofilia na Igreja Católica.

Numa altura que os abusos cometidos por clérigos católicos voltaram à ribalta com novos casos denunciados na Alemanha, Áustria, Irlanda e Holanda, o cardeal Christoph Schönborn, protegido do Papa Bento XVI e tido como um sólido candidato a seu sucessor, quebrou um tabu do Vaticano ao levantar a possibilidade de o celibato estar entre as causas para este verdadeiro flagelo que a Igreja enfrenta.

Num artigo que escreveu na última edição da revista da sua arquidiocese, Schönborn, arcebispo de Viena, apela à Igreja para fazer "uma análise corajosa" sobre as causas do escândalo e admite mesmo a possibilidade de o celibato ser uma delas. O cardeal considera igualmente necessário fazer-se uma análise sobre a formação dos padres e o desenvolvimento da sua personalidade. "Ela [análise] exige uma enorme honestidade, quer da parte da Igreja quer da sociedade, como um todo", escreve, salientando que compreende a frustração de muitos fiéis relativamente aos escândalos de pedofilia.

Estes pontos de vista invulgarmente frontais para um cardeal tiveram eco sonante na imprensa alemã e italiana, o que obrigou o arcebispo de Viena a fazer uma rápida "clarificação". Ela surgiu pela mão de Erich Leitenberger, porta-voz de Schönborn, que num comunicado garantiu que as palavras do arcebispo tinham sido mal interpretadas. "O cardeal não pretendeu de modo algum questionar a regra do celibato da Igreja Católica", esclareceu. Alguns observadores afirmam-se convictos de que esta clarificação foi feita sob pressão do Vaticano.

A questão do celibato clerical tem sido tratada como um tabu pelos sucessivos Papas, apesar dos insistentes apelos feitos por teólogos e organizações católicas laicas para que ele seja abolido ou opcional.

Há quatro anos, quando a questão foi levantada no Sínodo dos Bispos, Bento XVI reafirmou a validade do regulamento.

PERFIL

De origem aristocrata, Christoph Hugo Damian Peter Adalbert von Schönborn é um teólogo conservador de origem aristocrata. Nasceu a 22 de Janeiro de 1945 (65 anos) na Boémia, República Checa, de onde a família se viu forçada a fugir. Estudou Teologiae História da Igreja em Parise Filosofia e Psicologia na Áustria. Foi ordenado em 1970 e depois disso estudou Teologia na Universidade de Ratisbona, onde teve como professor Bento XVI.

APELO AO PAPA PARA DIZER SE SABIA DOS ABUSOS

Tinha o Papa Bento XVI conhecimento dos abusos? Esta é a questão que pessoas e organizações católicas, como o movimento ‘Nós Somos a Igreja’, levantam. O seu porta-voz, Christian Weisner, apelou ao Papa para dizer publicamente o que sabia dos abusos físicos e sexuais cometidos por clérigos em Ratisbona, na Bavária, onde foi bispo de Munique, e em Freising entre 1077 e 1982. Recorde-se que o seu irmão, que foi responsável pelo coro de Ratisbona, admitiu que esbofeteava os alunos. Weisner acha impossível que não soubesse.

Fonte: Correio da manhã
Data: 12/03/2010

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