Sábado, 26 de Maio de 2012
Home ›› Notícias ›› Internacional ›› Bento XVI exige "medidas concretas" contra pedofilia
Erika Paris
2010/17/02 10:09
Bento XVI denunciou ontem a inércia da hierarquia católica irlandesa, manchada por actos de pedofilia cometido por padres protegidos pelos seus bispos, e exigiu-lhes medidas "concretas" para "restaurar a credibilidade moral e espiritual da Igreja".
Pelo seu lado, os prelados irlandeses, que admitiram ter cometido "erros de julgamento e omissões que estão no centro desta crise", comprometeram-se a coo- perar com a justiça, especificou o Vaticano num comunicado divulgado a propósito dos três encontros do Papa com a conferência episcopal irlandesa, segunda-feira e ontem - um procedimento excepcional.
Bento XVI denunciou o "fracasso das autoridades da Igreja irlandesa, que durante anos foram incapazes de agir com eficácia nestes casos de abusos sexuais sobre jovens por membros do clero irlandês".
O Papa convidou os bispos a tomar "medidas concretas para curar as feridas de todos quantos foram abusados e restaurar a credibilidade espiritual e moral da Igreja".
"Este é um passo numa estrada prolongada. Deve haver outros passos", declarou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Papa, apresentando o documento à imprensa. Na sua perspectiva, a tomada de "decisões concretas" não esteve "na agenda deste encontro", destinado ao "diálogo".
O Papa "interveio várias vezes, nestes encontros, de forma amigável", acrescentou o padre Lombardi, lembrando que Bento XVI ficou "profundamente perturbado" pelas notícias das agressões sexuais que lhe chegaram da Irlanda.
O Papa voltou a qualificar estes abusos de "crimes ignóbeis", uma expressão que já tinha utilizado a 11 de Dezembro, após ter recebido o Primaz da Igreja da Irlanda, cardeal Sean Brady, na sequência da publicação de um relatório sobre as responsabilidades da Arquidiocese de Dublim, a mais importante da Irlanda, no silenciamento dos abusos sexuais cometidos por padres daquela região sobre centenas de crianças ao longo de décadas. Este é "um pecado grave, que ofende a Deus e fere a dignidade das pessoas humanas criadas à Sua imagem", acrescentou ontem o Papa.
Ressalvando que a "deplorável situação actual não será solucionada rapidamente", Bento XVI convidou a hierarquia católica a "debruçar-se sobre os problemas do passado com determinação e enfrentar a crise actual com honestidade e coragem".
Fonte: DN
Data: 17/02/2010
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