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Aubry acusa Sarkozy de ter reaberto a porta à extrema-direita

Aubry acusa Sarkozy de ter reaberto a porta à extrema-direita

Abstenção histórica, de 53,6%, uma vitória dos socialistas sobre o partido que está no poder, a União para um Movimento Popular, um aviso a Nicolas Sarkozy a meio do seu mandato presidencial.

Uma confortável terceira posição para os ecologistas europeístas e um regresso inesperado do partido de extrema-direita do já octogenário Jean-Marie Le Pen. Estes são os principais resultados da primeira volta das eleições regionais francesas de anteontem.

A pensar na segunda volta, que se realiza no próximo domingo, os socialistas começaram desde logo a negociar coligações à esquerda. E a sua líder não poupou críticas à nova subida da extrema-direita. A UMP, de Nicolas Sarkozy, recusa leituras nacionais do resultado e aposta no tudo por tudo para mobilizar os eleitores do partido, que terão ficado em casa na primeira volta deste escrutínio.

A primeira-secretária do Partido Socialista, Martine Aubry, garantiu ontem que os eleitores "exprimiram a sua recusa de uma França dividida, fraca, agoniada" e acusou Sarkozy, líder da UMP, de ter "reaberto a porta à Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen" ao promover debates sobre a identidade nacional e o uso da burqa pelas muçulmanas. A França é o país europeu com mais cidadãos a professarem o islão: cerca de cinco milhões.

"A Frente Nacional regressou ao primeiro plano tal como uma fénix que renasce das cinzas", declarou Le Pen, citado pela AFP, não conseguindo esconder o prazer do resultado eleitoral, 11%, depois de a sua formação política ter obtido apenas quatro pontos percentuais nas legislativas de 2007 e seis nas europeias de 2009. Apesar de tudo, o partido de extrema- -direita tinha obtido nas regionais de há seis anos 14,7%.

No domingo à noite, Le Pen apareceu na televisão com um cartaz de campanha que fora proibido pela justiça e no qual surge uma muçulmana coberta ao lado do território de França tapado por uma bandeira argelina sobre a qual se erguem alguns minaretes com a forma de mísseis. Neste cartaz podiam ler-se as seguintes palavras: "Não ao islamismo."

No campo da UMP, Sarkozy reuniu os seus colaboradores e alguns ministros logo antes dos telejornais de domingo à noite, passando-lhes uma mensagem de forte mobilização, escreveu ontem o Le Figaro online. "Não se trata de um voto de protesto, pois os franceses não se deslocaram até às urnas para sancionar a UMP", disse o Chefe do Estado, segundo o mesmo jornal francês. "Eleições regionais, intercalares, numa situação de crise financeira mundial, são sempre eleições difíceis", justificou-se, citado pela AFP, o primeiro-ministro. "Estamos todos mobilizados para o combate", garantiu François Fillon.

Quanto aos socialistas, que agora querem dar uma imagem de união, quando há ano e meio Martine Aubry e Ségolène Royal quase se descabelavam pela liderança do partido, muitos são os que duvidam que a saiba aproveitar devidamente. Assim que forem conhecidos os resultados de domingo, começará novamente o jogo das presidenciais de 2012.

Fonte: DN
Data: 16/03/2010

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