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Angola promete dar prioridade às PME nas dívidas que tem de pagar

Angola promete dar prioridade às PME nas dívidas que tem de pagar

Mais cautela que entusiasmo.

O anúncio foi feito ao mais alto nível, pelo Presidente, José Eduardo dos Santos, mas, mais ou menos em surdina, os empresários portugueses preferem receber o dinheiro para acreditar.

O Presidente angolano garantiu ontem que a dívida de Angola às empresas portuguesas vai começar a ser paga: as pequenas e médias empresas verão as suas facturas liquidadas nos próximos dois meses, as grandes empresas receberão uma primeira tranche de 40 por cento, e o restante da dívida será pago de forma faseada, ainda a estabelecer.

Com este anúncio José Eduardo dos Santos acabou por dar resposta a uma das principais preocupações manifestadas pelo Presidente da República português, Cavaco Silva, que pediu prioridade às pequenas e médias empresas, aquelas que mais dificuldade têm no acesso ao crédito. Sem precisar o montante da dívida às empresas portuguesas, Eduardo dos Santos referiu que a dívida geral angolana a empresas ascende aos 5,2 mil milhões de euros, estimando que "30 por cento deste valor" seja referente às empresas portuguesas. Mas só às empresas de construção civil há dívidas reconhecidas pelo Estado angolano que ultrapassam os 2,3 mil milhões de euros.

Em alta voz, é difícil hostilizar o país em que se perspectiva um dos mercados mais promissores. Não só na área da construção civil e obras públicas, onde as empresas portuguesas têm já uma presença histórica (as grandes construtoras como a Mota-Engil, a Soares da Costa e Teixeira Duarte estão em Angola há décadas, e a última até factura mais em Angola do que em Portugal), mas também no ramo das madeiras, do imobiliário, da energia e das telecomunicações.

Depois de uma primeira fase de incumprimento às construtoras portuguesas, saldada em Janeiro de 2007 (com as três construtoras a aceitarem receber apenas metade da dívida), voltaram as dificuldades em liquidar as suas facturas no início de 2009 - a descida do preço do petróleo trouxe perda de liquidez à economia angolana. Em Maio, o Governo português criou uma linha de crédito de 500 milhões para ser accionada por Angola para pagamento das dívidas, e Teixeira dos Santos chegou a anunciar que estariam pagas em Junho. "Vamos ver se é desta", disse ao PÚBLICO um empresário.

Fonte: Público
Data: 20/07/2010

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