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África. Resposta tardia à crise alimentar matou 50 a 100 mil pessoas

África. Resposta tardia à crise alimentar matou 50 a 100 mil pessoas

Emergência alimentar na África oriental foi prevista em 2010. Alerta de fome agora também no lado ocidental

Milhares de pessoas morreram à fome na África oriental apenas porque a comunidade internacional demorou muito tempo a responder aos alertas. De acordo com o relatório “A Dangerous Delay”, das organizações Oxfam e Save the Children, o problema está numa “cultura de aversão ao risco” das ONG e dos governos que acaba por provocar atrasos nas intervenções.

Segundo o documento, entre 50 e 100 mil pessoas, mais de metade crianças com menos de cinco anos, morreram naquela região africana devido à crise alimentar. Já o governo norte- -americano calcula que mais de 29 mil crianças com menos de cinco anos tenham morrido só entre Maio e Julho de 2011.

“Somos todos responsáveis por este atraso perigoso, que custou a vida a muita gente na África oriental e temos de aprender a lição da resposta tardia”, afirmou à AFP a directora-executiva da Oxfam, Barbara Stocking, explicando que as famílias pobres, principalmente na Somália, estão ainda a sofrer as consequências da resposta ineficaz à crise alimentar. “Sabemos que actuar cedo salva pessoas, mas a aversão colectiva ao risco fez com que as organizações de ajuda se mostrassem relutantes em gastar dinheiro até terem a certeza de que estavam perante uma crise”, acrescentou.

O relatório elaborado pelas duas organizações britânicas diz que os sistemas de alerta precoces conseguiram prever uma crise alimentar na região para Agosto de 2010, mas a resposta em grande escala só chegou em Julho de 2011, quase um ano depois.

“Não podemos permitir que esta situação grotesca continue; o mundo sabe que uma situação de emergência está a caminho mas ignora-a até ser confrontado com imagens de crianças desesperadamente mal nutridas na televisão”, afirmou Justin Forsyth, director- -executivo da Save the Children, sublinhando que o sofrimento de milhares de jovens podia ter sido evitado com “mais dinheiro, quando realmente valia a pena”. De acordo com o relatório, muitos dadores exigiram provas da “catástrofe humanitária” antes de entrarem em acção.

No entanto, o problema na zona está muito longe de estar resolvido e ainda ontem o enviado norte-americano ao Sudão, Princeton Lyman, avisou que meio milhão de pessoas será afectado por uma crise alimentar em Março caso as organizações internacionais não cheguem às zonas do país afectadas pelo conflito provocado pela independência do Sudão do Sul. “Está iminente um desastre no Sudão”, avisou Lyman em Pretória, na África do Sul, defendendo uma intervenção internacional no país.

“Como presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas este mês, a África do Sul poderá desempenhar um papel na prevenção de um desastre colossal”, afirmou o enviado norte- -americano, citado pela CNN, acrescentando que a falta de liderança, a violência étnica e o facto de o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, ter sido acusado de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional eram factores que estavam a complicar a crise no país.

Os conflitos nas regiões fronteiriças ricas em petróleo não param desde que o Sudão do Sul alcançou a independência do Norte em Julho de 2011. Para o embaixador sudanês na África do Sul, Ali Yusuf Alsharif, a situação no país pode vir tornar-se “pior que a da Somália”.

Outro teste às lições das respostas tardias é o Corno de África. Segundo um alerta da SOS Children, a região pode vir a ser outra vez atingida por uma crise alimentar, desta vez na região do Sahel, onde milhões de pessoas estão em risco. Os primeiros relatórios, com base em factores como a baixa precipitação, as más colheitas, a falta de pastagens e a subida do preço dos alimentos, indicam que cerca de 6 milhões de pessoas no Níger e 2,9 milhões no Mali serão em breve atingidas pela fome.
Fonte: I
Data: 19/01/12

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