Sexta-Feira, 10 de Fevereiro de 2012
Helenio Jeronimo
2010/23/03 9:41
Recusa de Merkel empurra negociações para uma solução mista entre UE e FMI para ajudar a Grécia.
A firmeza com que a Alemanha se está a excluir de uma solução europeia de auxílio à Grécia dá força a uma solução mista de ajuda, combinando empréstimos bilaterais na União Europeoia (UE) e apoio técnico e financeiro do Fundo Monetário Internacional.
Depois do presidente da Comissão Europeia ter aberto a porta a essa opção, ontem foi a vez do presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, o mais feroz opositor à entrada do FMI na zona euro, a admitir este cenário.
"Misturar os dois instrumentos - ajuda bilateral e assistência técnica - não seria um enorme escândalo se a ajuda bilateral representar uma fatia de leão. Não há nada definitivo mas é muito possível que recorramos a um duplo instrumento", disse Juncker diante dos eurodeputados. "Espero que isso fique mais claro nos próximos dias", adiantou. Já na próxima quinta-feira, os líderes da UE encontram-se em Bruxelas no que se perfila como o momento da verdade na ajuda europeia à Grécia. "Precisamos de uma decisão nesta cimeira para saber como vamos gerir a crise grega", disse Barroso ao Handelsblatt ontem. O presidente da Comissão Europeia diz hoje ao Financial Times - parceiro do DE - que "não haver um plano de resgate não significa que não haja ajuda".
Angela Merkel sacode a pressão. "Desaconselho provocar turbulências nos mercados, suscitando falsas expectativas do Conselho Europeu de quinta-feira", disse. Em Berlim, mais importante do que os 22 mil milhões de dívida grega que vencem no final de Abril, são as eleições regionais de 9 de Maio, que têm pautado as palavras de Merkel nos últimos dias, reinventando a figura da Dama de Ferro.
Toda a Europa do sul parece unida em torno desta urgência. Ontem o ministro espanhol dos negócios estrangeiros, Miguel Angel Moratinos, disse que esta cimeira era um "momento decisivo". O seu homólogo francês, Bernard Kouchner nota mesmo que "até antes do Conselho Europeu pode haver ideias originais" sobre os modelos de ajuda mas o que é certo é que temos de "apoiar a Grécia". Franco Frattini, chefe da diplomacia italiana, frisou que há um "dever moral de intervir o mais depressa possível". Durão Barroso "tem estado em contacto regular com a chancelerina Merkel", disse ontem a sua porta-voz, "com vista a preparação do Conselho para facilitar um acordo sobre um instrumento para a zona euro".
Estes apelos parecem cair em saco roto. O porta-voz de Merkel, Ulrich Wilhelm, notou ontem que "a situação não se alterou, a ajuda dos parceiros à Grécia só acontecerá em última análise". O que só eleva a dureza do tom dos responsáveis políticos na Grécia. O vice-primeiro ministro Theodoros Pangalos disse ontem que "ao especular contra obrigações do seu parceiro e amigo, e ao autorizar instituições de credito de participar neste jogo miserável, as pessoas na Alemanha estão a facturar. Enquanto os países do sul da Europa estão a sofrer com a queda do euro, as exportações alemãs ganham com esta fraqueza".
Fonte: Económico
Data: 23/03/2010
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