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Lula da Silva quer o Brasil a ajudar a economia portuguesa

Lula da Silva quer o Brasil a ajudar a economia portuguesa

O presidente da República do Brasil, Lula da Silva, mostrou-se ontem, quarta-feira, confiante que o "potencial" económico do seu país vai "ajudar a alavancar a economia portuguesa". Da parte do Governo português, José Sócrates manifestou todo o "empenho" nessa cooperação.

Apesar do "cansaço" da "correria" de uma viagem que, na última semana, o levou a cinco países de diferentes latitudes - Rússia, Quatar, Irão, Espanha e, durante umas horas de ontem, Portugal -, Luiz Inácio Lula da Silva ainda teve inspiração para um discurso motivador no final curta X Cimeira Luso-Brasileira que decorreu no Palácio das Necessidades, em Lisboa.

Foi de um país a viver um "momento mágico na sua economia" e de feitos assinaláveis - como o facto de ter conseguido, nos últimos anos, que 21 milhões de brasileiros saíssem da pobreza absoluta e ter criado 14 milhões e meio de novas empresas - que o presidente do Brasil falou ao "amigo e companheiro Sócrates", a quem prometeu ajuda a Portugal para sair da crise.

"Estou feliz porque finalmente o Brasil e Portugal se reencontraram e compreenderam a posição estratégica que cada um tem do ponto de vista geográfico", disse, no final do encontro em que foram assinados sete acordos de cooperação, dois deles, económicos, e onde admitiu que Portugal é a "porta de entrada mais importante" do Brasil na Europa.

Se, nos últimos anos, foram as empresas portuguesas que mais se viraram para o Brasil - segundo Lula, mais de 600 empresas investiram mais de 20 mil milhões de euros no seu país -, agora também as empresas brasileiras estão a investir em Portugal.

"Finalmente as empresas brasileiras estão descobrindo Portugal", disse, garantindo que vão saber recompensar o país pelos investimentos dos últimos anos. Citou os casos das duas fábricas de aviões da Embraer instaladas em Portugal e a entrada da Camargo Corrêa e da Votorantim no capital da Cimpor, bem como os acordos ontem celebrados entre a Galp e a Petrobras e entre a Mota Engil e a Geovision (ver texto ao lado). Lula acredita que esta cooperação empresarial vai "crescer" e que o "potencial" económico do Brasil vai "ajudar a alavancar a economia portuguesa".

Por seu lado, José Sócrates disse que Portugal está "muito satisfeito e assiste com orgulho à ascensão económica do Brasil e à sua nova posição no mundo". E garantiu que está aberta uma "nova fase de afirmação de cooperação económica entre os dois países" em "domínios críticos para o crescimento económico": a energia, a ciência e a promoção e difusão da língua portuguesa.

Sócrates garantiu a Lula que as empresas brasileiras são "bem-vindas" a Portugal e insistiu que há "empenho de todas as empresas portuguesas e do governo português quer para acolher investimento brasileiro quer para afirmar investimento português no Brasil". "Chegou o momento de intensificar as relações comerciais entre as empresas que criam riqueza e emprego", disse. Na declaração conjunta, ficou reconhecida a necessidade de equilibrar a balança comercial a favor de Portugal e apontados como oportunidades o Campeonato do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Fonte: Jornal de Notícias
Data:21/05/2010

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