Sábado, 26 de Maio de 2012
Helenio Jeronimo
2010/04/05 10:38
Finalmente saiu uma mensagem mais clara ao plano de ajuda à Grécia no entendimento entre Zona Euro, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, assegurando à Grécia condições de financiamento até ao fim de 2012.
Depois de alguns meses de tensão nos mercados finalmente saiu uma mensagem mais clara relativamente ao plano de ajuda à Grécia no âmbito do entendimento entre Zona Euro, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, assegurando à Grécia condições de financiamento até ao fim de 2012, naquele que pretende ser o final de um desenrolar de declarações descoordenadas por várias autoridades.
O montante total do empréstimo poderá ascender a 110 mil milhões de euros, dividido entre Zona Euro (80 mil milhões) e FMI (30 mil milhões), naquele que será o maior financiamento da história da moeda única e do próprio FMI, com a Alemanha a assumir a maior fatia via participação no FMI e no enquadramento da Zona Euro (24 mil milhões ou 22%), e Portugal a ser destinado a participar em cerca de dois mil milhões de euros.
Este será um programa com três anos de duração, sendo que o objectivo parece ser que o país consiga, a partir do segundo ano (ou quando possível), voltar ao mercado de emissão de dívida em condições normais.
A taxa de juro do financiamento, uma das condições que mais controvérsia gerou em toda esta discussão pública, será em torno de 5%, sendo que terá, possivelmente, de ser ajustada para casos específicos como Portugal, dado que parece fazer pouco sentido que um país se financie a uma taxa mais alta e empreste a uma taxa mais reduzida.
O objectivo deste programa é, primeiramente, reduzir o défice orçamental astronómico com que o país se depara e criar as condições para que o nível de dívida pública face ao PIB se reduza gradualmente, por um lado baseado em projecções ambiciosas (e, em alguns, casos até generosas), ao mesmo tempo que serão introduzidas medidas que não deixam grande margem de manobra.
Pretende reduzir-se os gastos públicos de 50% do PIB em 2009 para 41% em 2013, por exemplo, eliminando os bónus anuais para os dos funcionários públicos que tenham um salário bruto superior a 3.000 euros mensais e congelando os salários e pensões durante os próximos quatro anos. O IVA subirá para 23% (o maior da Zona Euro) e será criado um fundo de estabilização para o sector bancário com um valor total de dez mil milhões de euros. Com o cenário já traçado e com a assinatura da Alemanha garantida, falta só ao Parlamento grego ratificar esta decisão, com a primeira tranche a chegar provavelmente no próximo dia 10 de Maio.
Assistiu-se a uma queda da pressão no mercado de obrigações enquanto que o mercado accionista já tinha algum deste efeito descontado nos preços e só reagiu em alta aos dados positivos que chegaram dos EUA.
Fonte:Oje
Data: 04/03/2010
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