Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
Helenio Jeronimo
2010/29/04 10:01
A agência de rating Standard & Poor's classifica o risco de dívida Espanha, negativa.
A seguir a gregos e portugueses, ontem foi a vez de os espanhóis verem reduzida a classificação do risco da sua dívida pela agência de rating Standard & Poor's. A descida foi de AA+ para AA com uma perspectiva negativa, o que deixa aberta a possibilidade de novos cortes de rating a médio prazo.
Na lista de motivos apresentados pela agência de notação financeira contam- -se o endividamento do sector privado, um mercado laboral pouco flexível, com uma taxa de desemprego de 21%, o que reduzirá forçosamente a competitividade do país, uma capacidade limitada de fazer exportações e a qualidade do sistema financeiro espanhol.
O Governo socialista, liderado por José Rodríguez Zapatero, não demorou a reagir. "A Espanha é um país que sabe muito bem fazer frente às dificuldades. Nós sabemos fazer os trabalhos de casa e estamos a fazê-los muito bem", disse a vice-primeira-ministra, María Teresa Lopez de La Vega, citada pelos media espanhóis.
Num outro documento governamental, citado pela Efe, o Executivo do PSOE lembra que a Standard & Poor's tinha o "Lehman Brothers com uma elevada classificação, sem perspectiva negativa, em Setembro de 2008, justamente quando [o banco] foi à falência". Esta não é a primeira vez que o Governo critica as agências de notação financeiras, pois, no final de 2009, Zapatero já se referira a elas como uma espécie de "oráculos financeiros".
Apesar da mensagem de efeito calmante, a bolsa espanhola caiu 3% em apenas dez minutos. Numa conferência, a agência da rating defendeu-se das insinuações contra si e garantiu que o anúncio não foi feito para coincidir com o fecho da bolsa de Espanha. "O rating comunica-se depois de ser tomada a decisão, ainda que seja às sete da manhã", afirmaram os analistas, citados pelas agências. Ao início da manhã de ontem, como que prevendo o que ia acontecer, Zapatero dissera no Parlamento que, apesar do desemprego, acreditava que a retoma económica do país estava para breve. Afirmações que a oposição, do Partido Popular, logo criticou, com Mariano Rajoy a acusar o primeiro-ministro de "não estar a dizer a verdade".
A desclassificação da Espanha cai ainda mais mal quando este é o país que está actualmente na presidência da União Europeia. Em conjunto com o presidente permanente do Conselho Europeu, a presidência espanhola foi obrigada a convocar uma cimeira extraordinária dos líderes do Eurogrupo para 10 de Maio.
O grupo dos países do euro, 16 num total de 27 Estados membros da UE, reúne, normalmente, a nível de ministros das Finanças, mas dada a gravidade da crise financeira e económica actual, esta será a terceira vez que se junta a nível dos chefes do Estado e do Governo. Espanha e Portugal são dos países que estão desde o início no euro.
Fonte: DN
Data: 29/04/2010
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