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Os quatro problemas da Costa do Marfim

Os quatro problemas da Costa do Marfim

Kolo Touré deixou poucas dúvidas quando, na entrevista que concedeu ao portal da FIFA, se referiu ao contributo de Eriksson para o fortalecimento da selecção da Costa do Marfim.

Com o sueco ao leme, afirma o defesa do Manchester City, os "elefantes" passaram a pensar e a funcionar como equipa. A ser verdade - e amanhã já veremos uma amostra - fica resolvido um dos problemas mais tradicionais das equipas da África Negra em campeonatos do Mundo.

O sucesso dependerá ainda de outros dois, um deles anulado por natureza (o da motivação), enquanto o que sobra (o da organização) tem sido a principal preocupação do novo seleccionador desde que ocupou a vaga do bósnio Vahid Halilhodzic, despedido na sequência de uma Taça de África das Nações decepcionante.

O talento, já se sabe que esta equipa marfinense o tem aos montes, sobretudo no ataque, onde nem a lesão de Drogba afastava os pesadelos a Queiroz, pois ainda sobravam Kalou, Dindane, Gervinho ou Keita. Mas quem viu a prestação dos marfinenses na recente Taça de África, onde mesmo com Drogba a todo o vapor foram até incapazes de bater o modesto Burkina Faso e caíram logo na primeira partida a eliminar, aos pés da Argélia, sentir-se-ia em condições de contestar essa conclusão. Sucede que aí se viu um dos tais problemas na sua plenitude: para jogadores que já actuam em grandes equipas europeias, que estão habituados aos palcos da Champions League, jogar uma Taça de África não é suficientemente motivante, sobretudo se ela aparece em ano de Mundial e lhes prejudica a época nos seus clubes. Mas jogar um Campeonato do Mundo, com todos os olhos neles centrados e outros craques do primeiro Mundo como opositores, é outra conversa: hoje, contra Cristiano Ronaldo, Deco ou Ricardo Carvalho, todos os marfinenses farão do primeiro jogo do Mundial (ainda por cima do Mundial de África) o jogo das suas vidas.

Resta perceber se a questão dos egos continuará a ser primordial. Se em vez de não se empenharem a fundo, os craques marfinenses meterão o pé a pensar sobretudo neles e não na equipa. "[Antes da chegada de Eriksson] era impossível falarmos uns com os outros com honestidade, fazermos crítica construtiva ou treinarmos completamente focados", disse Touré, citando de passagem a necessidade de uma selecção ter "23 jogadores humildes, descomplicados e prontos para lutar pela mesma causa". A este nível, por muito que se argumente que Halilhodzic era um treinador competente e que Eriksson até vinha de um falhanço rotundo na selecção do México - que teve de o despedir para se qualificar - a verdade é que um treinador com o prestígio internacional do sueco pode fazer milagres. Porque craques como Drogba, Eboué ou Touré olham para o sueco e vêem alguém que anda no mesmo patamar deles, que partilha as páginas dos mesmos jornais e o espaço nos mesmos programas de TV.

Não tenho dúvidas, por isso, que a Costa do Marfim vai aparecer neste Mundial com um espírito colectivo renovado e, coisa importante, com uma organização incrementada, pois se há algo que Eriksson sempre privilegiou foi esse aspecto do treino. Se chega para brilhar num Mundial onde, até ver, os africanos nem estão a dar cartas, vai ainda depender de muita coisa. Como o braço de Drogba, por exemplo - esse será o quarto problema da Costa do Marfim.

Fonte: DN
Data: 15/06/2010

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