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O disco virou mas não tocou o mesmo. Foi Portimão que venceu na Luz

O disco virou mas não tocou o mesmo. Foi Portimão que venceu na Luz

Como Jorge Jesus anunciara, só um “pontinho” era sinónimo de vitória para os algarvios. Aí está o empate e o título completamente fora de questão

As dúvidas já eram poucas (se é que ainda existiam), mas aos menos crédulos Jorge Jesus fez o favor de confirmar o óbvio: o campeonato já pouco (ou nada) interessa ao Benfica, a prioridade chama-se Liga Europa. O onze revolucionário que montou para enfrentar o Portimonense foi a resposta evidente do treinador encarnado que, depois do empate com os algarvios, já aponta a mira na direcção da capital francesa, onde na próxima quinta-feira há duelo decisivo com o Paris Saint-Germain.

Os pontos de desvantagem que o Benfica tem para o líder FC Porto – serão 13 se os dragões vencerem hoje a U. Leiria – deram oportunidade aos suplentes do Benfica de assumirem papéis principais. Sem Roberto, Moreira defendeu a baliza. Luís Filipe, Jardel, Roderick e o estreante Carole compuseram uma defesa inédita. Airton ganhou a posição de Javi García, Felipe Menezes e César Peixoto ocuparam as alas, Jara e Kardec estiveram na frente de ataque. Safou-se Aimar, o único habitué a alinhar de início.

Com uma equipa nova, Jesus enfrentou o que esperava: um Portimonense mais preocupado em defender do que em atacar. Encostados às suas cordas, os algarvios deram espaços, mas este Benfica transfigurado oferecia um espectáculo a condizer. Do outro lado, os algarvios agradeciam as escolhas de Jesus e lá conseguiam chegar à área adversária, importunando Moreira, que, logo aos sete minutos, teve de afastar a punhos um remate de Candeias. Os homens de Carlos Azenha faziam pela vida e numa das investidas levaram a melhor, graças a um erro do central Roderick que, aos 27 minutos, afastou a bola com a mão. Ricardo Pessoa enganou Moreira e marcou o penálti.

 

À QUINTA NÃO FOI DE VEZ Pela quinta vez consecutiva, o Benfica ficava em desvanatagem no Estádio da Luz (desta vez não fez a reviravolta). A aflição obrigava a acelerar o jogo e até ao intervalo foi assim. Mas Jesus percebeu que exagerou e reduziu de dez para oito os suplentes em campo – Gaitán rendeu Carole e Salvio Felipe Menezes.


O Benfica lá pôs o pé na tábua, só que o Portimonense não se deixou ficar. O guarda-redes Ventura insistia em negar o empate, mas Candeias e Hélder Castro – este com um chapéu espectacular a Moreira que só o poste travou – deixavam a Luz a tremer. Jesus acompanhava o estado de espírito dos 29 711 espectadores nas bancadas e tentava aliviar os nervos com a experiência de Nuno Gomes. Aos 70 minutos, o ponta-de-lança substituiu Pablo Aimar e só precisou de nove para fazer o 1-1, de cabeça. O segundo golo da época do capitão – já tinha marcado à Naval – apareceu após um canto de Peixoto e de mais uma grande defesa de Ventura a um cabeceamento de Jardel. Roderick e Elias ainda dividiram a bola, mas esta sobrou para o segundo goleador da noite.

Nuno Gomes lembrou que ainda está "vivo" e mostrou (mais uma vez) que é dos avançados mais eficazes do lote de Jesus. A música podia ter sido a mesma, se voltasse a acertar as oportunidades que teve até ao apito final. Só que desta vez, o disco virou mas não tocou o mesmo.

Fonte: I
Data: 15/03/11

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