Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
Helenio Jeronimo
2010/29/06 9:50
E as vogais. É preciso ter “cuiddado” – com Robben, Robbie van Persie,Van Bommel e a excepção Sneijder, tudo pode acontecer
Não se trata de trocar os vês pelos bês Nesta pronúncia, dobram-se os bês, e os emes, e os eles e sei lá que mais. Mas também se dobra a língua. Quando se fala da Holanda é preciso ter cuidado porque há o risco de a conversa resvalar para o mais comum dos lugares do futebol: têm sempre grandes jogadores, jogam muito à bola mas nunca ganham nada. Verdade. De laranja já vestiram alguns dos melhores futebolistas da história (Cruijff, Neeskens, Van Basten, Gullit, Rijkaard, Bergkamp, e por aí adiante) e a única coisa que têm para a troca é aquele Europeu de 1988. Mas atenção. Porque volta não volta estes holandeses de agora deixam-nos com a sensação de poderem ganhar a quem quer que seja.
Principalmente se estiver lá Robben, com duplo bê, sempre uma dor de cabeça a dobrar quando está em campo: porque a finta pode sair para a esquerda ou para a direita, porque o remate pode levar a bola ao ângulo mais distante ou mais próximo. Ontem, saiu da direita, fintou perpendicularmente à grande área e rematou ao poste esquerdo: 1-0, aos 18’. Como diria Forrest Gump [Tom Hanks] sobre a vida, Robben é como uma caixinha de chocolates – nunca sabes o que vais apanhar. Às vezes, apanhas por tabela. De Van Bommel, com duplo eme, o durão, sogro do seleccionador Van Marwijk, que põe ordem na casa holandesa com uma entrada durinha aqui e outra ali. Convém haver um conservador no meio de tanta libertinagem.
Juizinho e talento. Como o de Robbie Van Persie, com duplo bê, e o de Wesley Sneijder, que não tendo “Van” ou consoantes ou vogais dobradas no nome, foge à regra como a excepção da praxe. A Holanda, pois claro, é um caso sério, mas só quando joga a sério – quando se deixa dormir é igual às outras. Porque se o ataque é a arma, a defesa não é grande espingarda. E se for apertada, pode ceder. Portanto, o melhor é mesmo ser fiel à cartilha da Laranja Mecânica e insistir na baliza contrária. Ontem, momentos houve em que Stekelengurg foi posto à prova pelos eslovacos, confiantes por terem eliminado a Itália: Stoch (67’), Vittek (68’ e 79’) testaram o guarda-redes. Tocaram, pois, os alarmes no banco holandês de Van Marwijk.
Robben, que já tinha feito o que dele se esperava, saiu para descansar e entrou Eljero Elia; Robbie Van Persie, que fez menos do que lhe é exigido (fica o passe para o golo de Robben), não gostou nem um pouco de ser substituído por Klaas-Jan Huntelaar, com duplo duplo “a”, e a coisa voltou a entrar nos eixos: Kuyt aproveitou uma bola em que o guardião eslovaco parecia correr para os balneários, para assistir Sneijder (84’) – não foi na mouche mas na Mucha. Mas Stekelenburg também deu o flanco: Vittek, de penálti, fez o golo (90’+4). Com um duplo tê.
Fonte: Ionline
Data: 29/06/2010
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