Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
Joslain Nkoumba
2010/03/09 10:27
Secretário de Estado assume que concorda com suspensão de seis meses e exige a Madaíl que tome decisões. Seleccionador acusa governante de ingerência
O que até agora transparecia nas entrelinhas e nos bastidores tornou-se público e notório. O conflito entre Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto, e Carlos Queiroz, seleccionador nacional de futebol, transformou-se ontem num confronto directo. O governante assumiu que concorda com a suspensão de seis meses aplicada ao treinador pela Autoridade Antidopagem de Portugal (Adop) e o técnico reagiu, acusando o socialista de se ter "imiscuído" no processo.
Tudo aconteceu no dia em que o acórdão da Adop foi divulgado (revelado na edição de ontem do PÚBLICO). Laurentino Dias organizou uma conferência de imprensa para dizer que concorda com o castigo aplicado ao treinador e a defender a atitude do organismo dirigido por Luís Horta: "A Adop é uma autoridade pública que, tal como a PSP ou GNR, exerce poderes de fiscalização": "Quando a PSP ou a GNR nos interpela na rua, a propósito, por exemplo, do controlo do consumo de álcool, está a executar justiça governamental ou meramente a cumprir a sua missão?", questionou o secretário de Estado, rebatendo a ideia de haver uma justiça governamental e considerando essa crítica de Queiroz como uma tentativa de "desviar atenções".
Na resposta, o seleccionador acusou Laurentino Dias de falar antes de tempo. "A lei portuguesa prevê um tribunal de recurso na Suíça e, portanto, parece óbvio e lógico que o processo não está concluído", disse Carlos Queiroz, à saída do escritório do seu advogado, repetindo que vai recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) e pedir que o castigo fique suspenso enquanto o apelo é analisado. "Se havia dúvidas de que o senhor secretário de Estado se tinha imiscuído no processo, essas dúvidas foram dissipadas", acusou o treinador.
Mas nem só o comportamento de Queiroz, condenado pela Adop por perturbar um controlo antidoping, esteve em cima da mesa. Laurentino Dias deixou um recado forte a Gilberto Madaíl, depois de o presidente da Federação Portuguesa de Futebol ter dito que "os jogadores jogam em piloto automático". Laurentino não terá gostado de ouvir e exige que o responsável da FPF "esteja à altura das suas responsabilidades e que, no exercício das suas funções, garanta transparência, credibilidade e dignidade" e que tome as "decisões que considere serem as melhores": "Acho que a boa liderança, a liderança responsável, se faz com tomadas de decisões, não se faz com o accionar de um piloto automático."
Este aviso serviu para Carlos Queiroz atacar mais uma vez Laurentino Dias, acusando-o de intervir na "gestão autónoma da federação". O seleccionador garantiu ainda que no final do processo, após a decisão do Tribunal Arbitral, assumirá as suas responsabilidades. "Espero que o secretário de Estado assuma as dele, se o TAD for contrário."
Queiroz tem 21 dias para recorrer ao TAD e mais dez para apresentar os argumentos. Depois, a decisão final deverá demorar quatro a seis meses. E este não é o único processo desta batalha jurídica que promete ser longa.
Fonte: Publico
Data: 03/09/2010
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