O Benfica cumpriu os três mandamentos reconhecidos por Jorge Jesus na véspera do confronto. Ganhou, goleou e voltou a evidenciar uma qualidade exibicional superior, à semelhança início da época, perante a satisfação dos adeptos e o desespero do Hertha.
O Benfica de nota artística elevada - expressão utilizada pelo responsável para definir as boas exibições das águias -, voltou, hoje, terça-feira, no plano europeu.
A equipa encarnada recuperou o sentido estético do jogo e encantou os trinta mil adeptos presentes na Luz. Di María foi um diabo à solta e a mola impulsionadora de uma exibição com momentos de brilhantismo. Aimar, Saviola e Fábio Coentrão acompanharam o jovem internacional argentino, numa demonstração de vivacidade e ausência de qualquer cansaço físico aparente. O Hertha de Berlim suspirou pelo final do pesadelo, que podia ter ganho outra dimensão traumatizante, caso os benfiquistas não poupassem o trio argentino. O Marselha é o mais provável adversário nos oitavos-de-final da Liga Europa.
Jorge Jesus introduziu três alterações em relação ao onze que desenhara em Berlim. Perante a impossibilidade de utilizar Ramires, castigado, recuperou Maxi Pereira e subiu Rúben Amorim. Aimar substituiu Carlos Martins e Fábio Coentrão voltou à ala esquerda, em detrimento de César Peixoto. Apesar da vantagem na eliminatória, as águias tomaram a iniciativa, numa clara lógica de a solucionar rapidamente e minimizar riscos. Esta atitude encontrou receptividade por parte dos alemães que adoptaram um comportamento predominantemente defensivo, mesmos nos momentos em que dispunham de condições para atacar. Ramos foi sempre uma pedra distante e deslocada do denso muro de Berlim, projectado em torno da área.
Após 15 minutos de alguma ineficácia, o Benfica acentuou a pressão de forma progressiva e encontrou o antídoto para provocar o desmoronamento da estrutura contrária. Di María foi a chave de ignição do assalto das águias, que voltaram a desenhar momentos de grande beleza estética. Nesta dinâmica, Aimar concluiu o primeiro tento, num lance gerado numa mudança de direcção de Di María, que ganhou sequência num passe geométrico de Saviola.
Após quebrar a resistência germânica, o onze da Luz continuou a jogar obstinadamente no meio campo contrário, perante um opositor que, no plano ofensivo, apenas conseguiu uma acção perigosa, por Ramos.
No segundo período, o Hertha respirou durante apenas três minutos. Tempo suficiente para Cardozo concluir um cruzamento de Di María. O espectro da goleada voltou à Luz. A equipa sentiu a oportunidade e não a deixou fugir. O número 20 perpetuou várias diabruras e empolgou as bancadas e os companheiros. Até final, os encarnados ampliaram a vantagem, falharam várias oportunidades e o desnível só não ganhou outra dimensão porque Jorge Jesus poupou o trio argentino.
Fonte: Jornal de Notícias
Data: 24/02/2010