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Portugal apoia Super Mario à presidência do Banco Central Europeu

Portugal apoia Super Mario à presidência do Banco Central Europeu

O actual governador do Banco de Itália conta já com os apoios de Paris e Lisboa para suceder a Trichet

Primeiro Paris, depois Lisboa: Portugal declarou ontem o seu apoio oficial à candidatura do actual governador do Banco de Itália, Mario Draghi, para suceder ao homem que hoje tem nas mãos a estabilidade dos preços da Europa e o controlo da inflação abaixo do alvo de 2%: Jean-Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), que abandonará o cargo em Novembro deste ano. A posição de Lisboa foi ontem comunicada por Paula Mascarenhas, porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, à Bloomberg.

Já Madrid não foi tão longe. A ministra espanhola da Economia e da Fazenda, Elena Salgado, considera que Mario Draghi é um "excelente candidato", mas adverte que Espanha precisa de esperar pela abertura do prazo oficial das candidaturas.

Com 63 anos, Mario Draghi é tido como um banqueiro independente do poder político e capaz de executar as políticas austeras que Berlim exige da liderança da autoridade responsável pela política monetária na zona euro, e cujo mandato está definido no artigo 127 do Tratado de Lisboa.

O economista Nouriel Roubini só lhe tece elogios e o ministro das Finanças do Luxemburgo, Luc Frieden, diz que Draghi é "de uma inteligência impressionante". Peer Steinbrück, ex--ministro das Finanças alemão, garante que o italiano é um "homem muito calmo e independente". Mario Draghi trabalhou durante anos na City de Londres, no banco de investimento americano Goldmam Sachs: foi aí que ganhou a alcunha "Super Mario".

Este será um novo desafio para Draghi, o homem que liderava um banco central com um registo histórico longe de ser impecável: o Banco de Itália (sem Draghi na presidência) foi incapaz de prevenir bolhas de especulação, crises monetárias e disparos da inflação anteriores à adesão do país ao euro.

A França de Sarkozy foi o primeiro país da zona euro a expressar o apoio oficial à candidatura de Draghi, na segunda-feira. Facto que provocou uma reacção imediata da Alemanha no dia seguinte: "Não haverá qualquer nomeação para a presidência do BCE sem a aprovação germânica", afirmou ontem o porta-voz da chanceler Angela Merkel, Steffen Seibert.

É provável que a escolha de Berlim recaia, em todo o caso, sobre o candidato italiano. O nome de Draghi deverá ser votado no Conselho Europeu de Junho. C. F. M.

Fonte: I
Data: 28/04/11

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